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 Guga se emociona em sua despedida

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MensagemAssunto: Guga se emociona em sua despedida   Seg Maio 26, 2008 5:29 am




O brasileiro Gustavo Kuerten deu adeus ao tênis profissional ao perder para o francês Paul-Henri Mathieu por 6/3, 6/4 e 6/2 na primeira rodada do torneio de Roland Garros, mas o resultado foi o que menos contou neste domingo, em que o tênis mundial perdeu uma de suas estrelas. "Para mim, foi incrível o que fiz aqui. Obrigado a todos", disse Guga num francês bastante improvisado após o jogo, diante das câmeras de televisão.

Aos 31 anos, o catarinense deu adeus às quadras ao palco de sua ascensão meteórica, onde, em 1997, passou de virtual desconhecido, mesmo para os brasileiros, a campeão de um dos mais prestigiados torneios do Grand Slam, ao derrotar o espanhol Sergi Bruguera na decisão por 6/3, 6/4 e 6/2.

Naquele ano, o brasileiro aparecia apenas como 66 do mundo, ainda jogando muitos torneios da série Challenger. Talvez isto tenha ajudado a surpreender adversários como o austríaco Thomas Muster e o russo Yeugeny Kafelnikov, ambos ex-campeões de Roland Garros e que ficaram pelo caminho diante daquele "garoto".

Guga chamou a atenção dos franceses (e de todo o mundo do tênis) tanto pelo uniforme colorido, a simpatia e o jeito de surfista, como também pelo potente saque, os fortes golpes de fundo de quadra e a facilidade de jogar em pisos de terra batida. Em seus melhores anos, o brasileiro era praticamente imbatível no saibro.

Do torneio francês, o tenista passou a colecionar títulos nos quatro cantos do mundo. Em 2000, já como quinto do mundo, conquistou Roland Garros pela segunda vez. Passando novamente por Kafelnikov, desta vez a final foi diante do sueco Magnus Norman, então número três da ATP e seu rival naquela temporada.

Em uma partida tensa, de quase quatro horas, o brasileiro venceu por 6/2, 6/3, 2/6 e 7/6(8-6), com direito a bola duvidosa marcada no 5 a 4 do quarto set para Guga - que quase colocou tudo a perder, pois ele teve dificuldade para se concentrar e fechar a partida num tie-break em que acabou com diversos match points.

Apesar da frustração de não ter levado a medalha olímpica - caiu diante de Kafelnikov nas quartas em Sydney -, Guga esteve presente na campanha que levou o Brasil à semifinal da Copa Davis daquele ano, perdendo para a Austrália fora de casa.

A competição por equipes sempre foi uma das favoritas do catarinense, o que ajudou a difundir o prazer de torcer pelo tênis em todo o país. Fosse em simples ou duplas, na maioria das vezes ao lado do já aposentado Jaime Oncins, Guga fez com que a equipe brasileira ganhasse um respeito no Grupo Mundial da Davis, bem longe da situação atual.

O maior feito de Gustavo Kuerten em 2000 foi tornar-se o primeiro sul-americano a encerrar o ano como número um da ATP, onde se manteve por 44 semanas. E a competição que consagrou Guga como número um do circuito foi a Masters Cup de 2000, em Lisboa, Portugal. Ele ainda foi eleito o jogador do ano pela ATP e pela ITF, além da imprensa mundial.

Em apenas uma semana de competição na capital portuguesa, ele confirmou a todos que estava entre os melhores do tênis ao bater, num curto espaço de tempo, nomes como os americanos Pete Sampras e Andre Agassi - este duas vezes - e o russo Kafelnikov, isso jogando numa quadra rápida, que não é sua superfície favorita.

No ano seguinte, viria o terceiro título em Paris, agora na condição de cabeça-de-chave número um. E ele defendeu a conquista com maestria, superando o espanhol Alex Corretja na final por 6/7 (3-7), 7/5, 6/2 e 6/0.

Além do torneio parisiense, Guga também escreveu seu nome nas galerias de vencedores dos três Masters Series em terra, em Montecarlo, Roma e Hamburgo, completando o chamado "Grand Slam do saibro". Ao longo de toda a carreira, foram 20 títulos de simples e oito de duplas.

Porém, depois das conquistas viriam as lesões. Sofrendo de dores no quadril direito, Guga foi operado pela primeira vez em 2002 e teve recuperação demorada, mas nunca voltou a ser o mesmo. A conquista do torneio de Auckland, no início de 2003, e o Brasil Open do ano seguinte, sua última na ATP, seriam alguns dos últimos bons momentos do jogador, que a partir daí teve como adversário constante as contusões.

No início de 2008, Guga anunciou que deixaria o tênis, reconhecendo não ter mais chances de competir de igual para igual no circuito profissional. Para se despedir do circuito profissional, ele jogou cinco torneios, sempre recebendo convite - sua posição no Ranking de Entradas já era insuficiente -, e teve a oportunidade de atuar em alguns locais que foram especiais para sua carreira.

Em fevereiro, Kuerten jogou o Brasil Open, na Costa do Sauípe, e foi eliminado na primeira rodada, perdendo para o argentino Carlos Berlocq por 7/5 e 6/1. Nas duplas, ele e o juvenil André Baran perderam para os italianos Filippo Volandri e Fabio Fognini por um duplo 6/3. "Não é que eu não queira realmente deixar de jogar. Peço desculpas, mas é que realmente não consigo mais", lamentou Guga após perder na estréia de simples na Costa do Sauípe.

No mês de março, ele saiu na estréia do Masters Series de Miami ao perder para o francês Sebastien Grosjean por 6/1 e 7/5. Mas foi nesta competição que ele conseguiu sua primeira vitória no circuito profissional em 13 meses.

Ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti, ele derrotou os espanhóis Feliciano López e Fernando Verdasco por 7/6 (7-4) e 6/2. Porém, a dupla acabou derrotada pelo sueco Simon Aspelin e o austríaco Julian Knowle, cabeças-de-chave número cinco, por 6/0 e 6/3, nas oitavas.

Em seguida veio o Challenger de Florianópolis, sua cidade natal, onde conquistou sua última vitória em simples, diante do colombiano Carlos Salamanca, por duplo 6/4. Mas ele não resistiu ao gaúcho Franco Ferreiro na partida seguinte, caindo por 7/5 e 7/6 (7-2).

Ausente dos torneios de Roma e Hamburgo por não ter conseguido convite, Kuerten disputou o Masters de Monte Carlo. Mais uma derrota, para o croata Ivan Ljubicic, por 6/1 e 6/2, acompanhada de uma lesão no músculo adutor da perna esquerda que o tiraria da disputa em Barcelona, onde conseguiu convite.

Machucado, ele resolveu chegar mais cedo e treinar pela última vez nas quadras de Roland Garros, vivendo um pouco mais o clima que tanto o consagrou e do qual se despediu hoje.

Nascido em Florianópolis, capital de Santa Catarina, em 10 de setembro de 1976, Kuerten começou cedo no esporte. Seu pai, Aldo - tenista amador e colaborador em campeonatos como juiz de cadeira - teve grande influência no gosto do filho pelos esportes, e fez com que Gustavo começasse a praticar a modalidade ainda aos seis anos.

Em 24 de maio de 1985, veio a grande tragédia da família: seu Aldo sofreu um ataque cardíaco enquanto apitava uma partida de juniores em Curitiba e morreu aos 41 anos. Guga ainda tirou forças de outro gran e exemplo na família: o irmão mais novo, Guilherme, que devido a problemas no parto, nasceu com paralisia cerebral e microcefalia, danos cerebrais irreversíveis, sendo portador de graves deficiências físicas e mentais.

Após anos de luta, Guilherme morreu no fim do ano passado, vítima de uma parada cardiorrespiratória. O exemplo do irmão o inspirou em projetos beneficentes. Em 1998, foi o presidente das ações de caridade da ATP. Durante o período, criou um programa junto à Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae), para o qual doou US$ 200 em cada jogo que disputou no circuito, de simples e duplas.

Em 2001, a dedicação à causa valeu ao tenista o prêmio de juventude e civilização da Unesco. Dois anos depois, recebeu o "Arthur Ashe Humanitarian Award", da ATP, por suas ações realizadas fora da quadra.

Aos 14 anos, Gustavo Kuerten conheceu o técnico Larri Passos, responsável pelo reconhecimento do talento do catarinense, que convenceu o adolescente Guga e a família deste de que o jovem reunia todas as condições de se tornar um grande esportista.

O treinador acompanharia Guga por 15 anos, estando ao seu lado nas principais conquistas. Após algum tempo separado, ele retornou para os últimos momentos da carreira do tenista. "Para mim, é diferente estar em Roland Garros neste ano, mas as sensações são as mesmas. Estava contando os dias para o torneio começar", afirmou em entrevista coletiva na véspera da estréia.

Gustavo Kuerten ainda sonhava com a disputa dos Jogos Olímpicos de Pequim, mas tem poucas chances de competir. De todo modo, a Philippe Chatrier - principal quadra de Roland Garros - foi o palco perfeito para o adeus definitivo do catarinense, considerado o maior tenista masculino brasileiro de todos os tempos. (fonte: tribuna do norte)

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